Gente e Tecnologia

Gente e Tecnologia

As transformações da sociedade estão ocorrendo rapidamente  e não sei como a humanidade acompanhará isso. Li esses dias que a inteligência artificial deixará 800 milhões sem empregos em 2030. Logo ali. Assustador, especialmente para quem tem filhos. O que faremos daqui a alguns anos? Será que a sociedade se organizará de outra forma e conseguirá alocar todo mundo? E quem não tem acesso a uma educação de qualidade, como se colocará neste contexto? Viveremos em um estado de barbárie, com muitos nas ruas sem ter o que fazer, o que comer e como sobreviver? Ou a tecnologia encontrará as soluções para esses problemas e proverá as necessidades básicas da população? Espero que sim… Que surjam mentes brilhantes e cheias de humanidade (recebi ontem uma mensagem de uma amiga desejando humanidade para 2018. Que assim seja Leonor!)  capazes de organizar a sociedade de forma a superar todos esses desafios.

Então vamos olhar a metade cheia do copo. Se as pessoas passarem a ser vistas como o centro de qualquer transformação, a tecnologia pode ser uma grande aliada da humanidade em várias questões, como o meio ambiente. Há um ano e meio venho trabalhando com o programa Low Carbon Business Action in Brazil e neste tempo tive acesso a soluções bem interessantes na área de geração de energia renovável e reaproveitamento de resíduos. Coisas daqui e da Europa, já que o programa é promovido pela União Europeia.  Conheci um pessoal do Rio Grande do Sul. Essa turma descobriu formas de reaproveitar diversos tipos de resíduos, transformando-os em produtos finais ou insumos com um nível de resistência muito bom para diversos tipos de indústria. Instalam pequenos aparelhos de reciclagem e  conseguem desenvolver coisas incríveis, customizadas, a depender das necessidades. A empresa criou um programa com os próprios catadores, que coletam e geram o produto final a partir do insumo. Assim, contribui com o meio ambiente e  com a geração de renda. E melhor, o pessoal que conduz essa empresa  realmente quer promover transformação social. Existe uma motivação genuína por trás desse negócio. São nessas mentes brilhantes com propósito que acredito, e  um exemplo como este nos mostra que nem tudo está perdido.

Acho que a tecnologia também pode acabar com a fome no mundo, se as práticas de cultivo e plantio evoluírem nos próximos anos. As fazendas urbanas, nas fachadas dos prédios, a produção de carne em laboratório, considerando que dificilmente o mundo  irá virar vegetariano e a forma atual de criação de animais não se sustenta por muito tempo do ponto de vista ambiental, são alternativas bem interessantes. Tem coisas que parecem saídas da série Black Mirror, mas estão mais próximas da nossa realidade do que muitos imaginam.

Outra frente promissora é a da saúde. Os avanços na área da medicina têm permitido diagnosticar uma doença muito antes de surgir. Sem falar no tratamento, que evolui exponencialmente. E o melhor de tudo isso é que em um mundo colaborativo, as soluções são pulverizadas e envolvem pessoas de diversas áreas, com diferentes formações. Plataformas de incentivos lançam desafios, os quais engajam gente curiosa de qualquer lugar do mundo. Médicos, engenheiros, matemáticos, todos juntos podem encontrar soluções para uma doença, por exemplo. Por que um mecanismo da engenharia não poderia ser aplicado no contexto da medicina? Em um mundo conectado pela tecnologia tudo é possível.

Convido a todos neste final de ano a colocar muitas vibrações positivas para que esses avanços que conquistamos nos últimos anos e os novos que surgem a cada minuto sejam utilizados de forma positiva, em prol da humanidade e não de interesses financeiros ou de governos.

Fernanda Arimura

Sou jornalista e cidadã preocupada com os rumos do planeta

http://www.meuplaneta.net/tecnologia-e-a-gente/ 

Texto gentilmente cedido pela parceira Fernanda Arimura, diretora da Walk4 Good.

Compartilhar nas redes

Voltar