Projetos COM as pessoas, não PARA as pessoas

Projetos COM as pessoas, não PARA as pessoas

Sempre que me perguntam o que, na minha opinião, faz um projeto social dar certo, respondo a pergunta com uma outra pergunta. De que lugar nascem as suas construções? 

Um dos princípios para que projetos e programas sociais tenham sucesso é criar e desenvolver propostas COM as pessoas, não PARA as pessoas. Parece óbvio afirmar que é preciso construir, de forma coletiva, as ações em prol do SOCIAL. Porém, nem sempre é assim que acontece. Muitos projetos são desenhados tendo como referência a visão de mundo de indivíduos que estão lá, com a caneta e o poder na mão, fechados em seus gabinetes. Esses são aqueles projetos que não andam, que quando colocados em prática, não conectam com as pessoas das comunidades onde são aplicados. 

Os projetos feitos PARA as pessoas não promovem mudanças sólidas. Tudo isso pelo fato de que, nessa construção, proponentes se colocam acima de beneficiários. Não há escuta, e também não há interesse em promover autonomia. Projetos sociais feitos PARA as pessoas contribuem com a perpetuação dos ciclos de dependências e alimentam muitas vaidades. Explicando: onde há dependência, segue existindo a categoria das "pessoas do bem", as quais oferecem "soluções" para as "pessoas carentes". Uma dinâmica sutil, mas um tanto perversa. 

Projetos que dão certo não tem espaço para ética do poder. Aquele que escreve e desenvolve um projeto ou programa social não é um ser especial que resolve sozinho os problemas do mundo. Estruturar uma proposta significa ter a habilidade de compreender e colocar no papel os sonhos de coletividades para depois, buscar recursos e desenvolver o que se planejou, na coletividade. Esse  processo de cocriação, repleto de complexidades, pode ser beneficiado com as ferramentas da antropologia, as quais permitem que culturas sejam compreendidas em profundidade e que o profissional seja capaz de entender “o mundo dos outros” por meio das lentes dos outros.

Projetos que dão certo são desenhados COM as pessoas. Nesse formato de construção, não existe acima e abaixo, mas sim, lado a lado. Aqui, não há espaço para vaidades. Projetos e programas sociais desenhados COM as pessoas promovem a autonomia e mudanças significativas. São projetos com foco no desenvolvimento e na sustentabilidade comunitária. São programas que permitem que beneficiários se desenvolvam para que um dia, não precisem mais da iniciativa proposta. 

Projetos sociais de sucesso nascem com o intuito de morrer, pois quando terminam, significa que a razão da sua existência - problemas sociais- também terminou. Façamos somente projetos COM as pessoas. Façamos somente projetos que morrem não por construções errôneas, mas sim, pelo sucesso.

Luara Cândido é Mestre em Ciências Sociais e Diretora da Espiral

A Espiral é  uma empresa social que desenvolve projetos e soluções inovadoras com impactos positivos para marcas, organizações, meio ambiente e comunidades.

Contato: projetos.espiral@gmail.com

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